Agora o cheiro do halls vermelho, que guardei no estojo porque o professor gostava e a professora falando do bambu. Atrás do bambuzal o Luís lambendo a Jamile na boca. Tinhamos 7 anos. Tudo tão fluído no halls e em mim aquele peso. E as palhas secas, os tênis amarelos, o mundo estalava. O Luís era rude e babava. Tem aranha no bambu cobra também. Mata. A professora disse que o bambu quando morre continua firme em terra por sete anos, rígido dentro da terra. Vivo, ou enquanto isso, o bambu migra verde até virar azul. Lá em cima o céu devolve o verde. Há gaivotas na China? Depois senti muito cheiro de gás na sala de aula como se o gás viesse de mim. Fechei a janela, os olhos, pensei em como aprender um corpo no escuro?
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Aretino
No jornal de domingo havia a foto de um professor carioca demitido porque escreve poemas eróticos. Um artigo denunciava a volta do autoritarismo, caça às bruxas, por que ele não poderia ensinar alunos de quatorze anos e escrever aquela espécie de pornografia culta inspirada em Aretino? Me espanta o início da história, mais que o desfecho. Havia uma feira cultural na escola e convidaram o professor para falar de seu processo de criação. Ele falou. Depois da palestra os alunos procuraram no google e encontraram os textos eróticos. Quem o convidou não havia lido os livros. Ele fez a palestra acreditando que os outros sabiam e entendiam? Ou nem sequer pensou que haveria um problema?
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Sobre as eleições
Caros senhores camaristas, tenho o prazer de vos informar que todas as urnas já foram abertas e apurados todos os votos e, para nosso bem estar, fomos todos reconduzidos como representantes legítimos do povo. Não que essa eleição não tenha sido manipulada, afinal, a manipulação faz parte da nossa natureza, desde a época em que controlávamos a maquia dos moinhos e e quantidade máxima de cera a ser usada no tratamento dos mortos. Manipulamos, mas agora, nossa manipulação é honesta, porque é visual e não coercitiva. Sehnores, nosso reinado está garantido pelo século dos séculos, enquanto o mar não nos toque a borda do campo. Não, esse último trecho não vai para a ata, por favor.
domingo, 5 de outubro de 2008
Clark Kent em apuros
Clark Kent acorda neste domingo mais cedo que de costume, veste a mesma roupa de ontem à noite, não sabe bem onde está. Aos poucos seus olhos vão reconhecendo o ambiente, seu quarto, Metrópolis pela janela, e Clark tem a estranha impressão de sentir algo de que o sol amarelo sempre o poupou, algo de que ele apenas ouvira falar, uma leve e aguda dor de cabeça. Bobagem, Clark. Você deve estar é mascando ainda algum sonho esquecido, porque o sol amarelo não lhe extirpou o inconsciente, ou lhe deu um de presente, como seria sonhar em Kripton? Seus pés fortes escalam até a cozinha, sua mão agarra um copo de água que ele bebe e estraçalha, sem se cortar: afinal, ele é o mesmo! Não fosse por uma vaga, vaga melancolia.
sábado, 4 de outubro de 2008
rebelde fofura wasted brazilian youth outro-retrato 2
intro: o meu carro foi meu pai que me deu filho homem tem que ter um carro seu - QUADRO 1: outra linha, a seguinte leitura: os pasi se matando de trabalhar para que os filhos em cima da cama leiam horas e horas LIVROS. e a escuela, paga clara - 2: filhosi crescem, formam na escuela, na faculdade, alegria alegrí! formandos formados, o contínuo movimento dentro de casa - trabalho - dentro de trabalho - para casa - processo do conforto: obter a propriedade própria independentee. independência: continuar a ler LIVROS e TER ACESSO À WEB. viu, xixi? escolher bem. depois vai virando, ó: (imaginemos) fazendo barba, ou depilando, os dias passando, os fatos derretendo, o frita-peito, o quebra-espelho, os livros abrindo e abrindo e fechandop, shh, um suspiro e outro - 3? não pára não nem conta
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
o projetista
Nos conhecemos num dia que eu entrei no cinema para me abrigar da chuva. Ele recolhia perfurava os ingressos enquanto as pessoas iam entrando e depois corria para a sala de projeção. Achei o “tenha uma boa sessão” dele tão carinhoso que antes da metade do filme já estava em cima dele. O som da bobina abafava nossos gemidos. Tínhamos que ser rápidos, pois era um média metragem. Passei a ir lá toda sexta-feira. Às vezes ajudava ele a fazer a fila andar mais rápido. Detestava mostras de curtas, mal começávamos e ele tinha que parar para trocar o rolo. No dia que teve retrospectiva de “O Poderoso Chefão” quase não tive descanso e a rodada entre o Um e o Dois só perde para o dia que estreou “Dogville”. Amava os clientes que viam os créditos finais.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
eu como você
já mudou de idéia novamente então tá não,tá tudo bem se você quiser eu não paro meu amor tortura quantas dúzias de dúzias vermelhas querem trazer pra cá você meu na porta de casa agulhão peixe-grande que dá no norte tem bicada feito de cegonha se olhar na lua cheia dá três filhos pra cada verruga da velha do seis chega de andador choveu granizo nela um dia eu também não vou partir pra nunca mais prometo vou ficar pra sempre jogando i ching dando comida pros gatos não que nem a velha nunca já tive bem,não era azul aquele rio era lilás que nem na música e a ponte nos teus olhos refletida de abril a ponte não o mês era outubro agora disse uma amiga e eu xorei litrus.
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