Mostrando postagens com marcador bernardo rb. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bernardo rb. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de março de 2009

monólogo

you are my center/ when i spin away/ out of control on videotape/ on videotape
Radiohead



o seu peito meu_essa fresta, por que não?_chega mais escutarei_sozinho nas tardes de abril_o barulho dessa coisa_ter saído sorrindo dizendo que sim quando não (isqueiro sem gás) não pedi seu número_pensei praquê_sabe, ganhei um bom-bom esses dias_guardei na bolsa_vai passar pra frente né_lembro da sua voz (furtiva lacrima) convencida perto cinco anos atrás na buaty limpa_eu, você em cada bueiro por aí_seu diabo traz agora a adolescência passando o emprego como uma roupa_continuando_realmente pentear cabelo não é pra mim_o número meu anote é mil novecentos e sessenta e quatro oitenta e nove dois mil e nove. ali na esquina vou comprar_pão_p.s. parabéns pela cueca e pode ficar com o batom.

sábado, 21 de março de 2009

I ato último

/–muito prazer, o prazer todo meu –prazer meu sempre –faço sua mala –ofereço minha vida meu flanco minha casinha –te dou minha mala –aproveito tudo –detalhe esse seu sobre o olho, não esqueço –me diz onde assim –então me cata –me agacha/ (queda) –quando vamos –pra onde –é para que voltemos não importa –pra onde caralho –pra casa –essa casa não existe –por favor –(há muito a mesma música não para) não posso –você adia sua entrada no mundo –como entrar assim impossível –você não ama –eu também sou gente porra –paralelamente –agora pisa bem fundo machuca mesmo pra onde hem –(queda) pouco uma casa no campo mudamos daqui –mas num piscar de olhos (uma imagem turva)

sábado, 14 de março de 2009

II ato

–está perdido de uma vez agora –o seu nome um último peso em movimento –pro fundo do mar pra sempre –quem diria tão imprevisto –estúpida garrafa náufraga –estou no mudo –bem o fundo salvará o dia –não ouço nada do que você fala não entendo –eles também quase não o escutam –eles? –sua fala desaparece percebo com clareza –é uma palestra que ofereço às quartas (telefone celular na plateia) –um ombro exposto e pequenas contrações no paletó verde-claro –você é disperso –quem poderia lidar com tamanho vazio –claro o público para mim é uma questão, de reflexões –faz sala pra mim agora então –mais um pouco vinho –vou embora –fica –já termina aqui –pra sempre –pois então (vinho para todos os lados)

sábado, 7 de março de 2009

III ato

nesse parecer todas as coisas são.
Wallace Stevens
–desconhecido você para mim –eu era minucioso hoje sei –eu –saía realmente tonto –você rouco era conveniência isso sim –bem pontual como uma tristeza acho seu amigo disse –particular demais cara seu modo calado –impossível você querer outro –diga lá de um modo razoável –descansava na almofada como quem não, nada –nada, café demais –pão –geleia, requeijão –bonito você receber bem –domingo de manhã depois de sábado –o sol batia (abre atrás uma janela) –como você fala –falo mesmo (música fininha) agora
–viu –quê –foi muito triste agora –de forma alguma –inexplicável ter ido lhe conhecer –não dá pra entender (olha ninguém) –ninguém –toda hora

sábado, 28 de fevereiro de 2009

cheirando porra ontem,

moço, estou lendo sentado na praça aos pés da árvore grossa. -foram- tRistes Penas novE anoS ATrÁs (vendo) e depois, menos moço, muito provisório aprender complicado. e provisória a palavra, junto com a dor. jamais durável. sempre outra coisa de novo.diferindo. hoje explícito gosto, as ideias rodando-sempre na mesma velocidade embaraçada. ampliando uma fineza rouca! eu (escutei vendo) e a atenção ao olhar a frente do oceano foi e ainda é uma garantia forte de traição (tradição). E o rio. E as nuvens no mais das vezes. não posso ser alinhado só porque vivo conformes inevitáveis. conformado e forma. cacete! quero biográfico dizer biológico, sentir o farlfalhar desse fora __________ lá!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

ai! café velho

é, também, por exemplo, dizemos assim, o fulano também, eu também, o que você vai fazer hoje?, o que você fez hoje?, nada, vou pra casa, pra casa? (algo difícil de se dizer, penumbra), pra casa?, eu fico lá sem encheção de saco, onde?, na sua casa?, é na minha casa, tem a maior produção, desfile, na minha casa, ei fiquei lá dias também antes de sair agora, e encontrar com você, sabia, sabia, estou fazendo uma autobiografia de performances, sem público, registrando tudo num fotoálbum, chama freak sem perigo (um barulho caindo), ATENTO, no meu apartamento sobre o sofá sem amigo, sem eficácia nenhuma, passos, essa brecha na ordem das coisas!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

do digitaria

o momento da curva foi exato. estávamos no carro com uma música sem saber se descer em ouro preto ou seguir para a cachoeira da mari. a luz tinha ficado mais clara, eu pensava que a luz tinha ficado aberta. o carro estava cheio de pessoas de caminho indeterminado olhando o dia nascer. ficava mexendo na janela aberta!! desci na escada RACHANDO e abri a porta com chave. eram elas de novo e iríamos voltar para outro preto. era uma coisa (2006) a gente disse no quarto ouvindo. quieto eu frisava. de repente olhei pra frente vi pelo vidro: a estrada chegou num menino andando de fininho em cima dum viaduto (bh). a mecha dela era movimentada, olhando do lado de trás (do carro), balançando. todo mundo desceu.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

o medo da gente

a epifania, sinto atrás, e isso pouco doce. você chega na porta da área vai direto tomar banho escovar o dente eu como alguma coisa ponho um tênis pra sair você espera no carro. sentamos no bar de cadeira plástico vermelho e pedimos cerveja. o sol no rosto caindo no outro horizonte. as nuvens olhando, dando tchau. pensar na mudança, inútil, é sem saída, dia e noite cercados. eu lembro de quando você pegou o velotrol e jogou no lixo, por que você fez isso eu pergunto, por que jogar o velotrol fora. você com um brilho no olho responde fraco, lurex antigo você diz tive que quebrar uma regra. e a sensação de que seria assassinado, estrangulado por alguém de longe que viria enquanto tomava sol na cobertura.

sábado, 31 de janeiro de 2009

a-a

peguei no sapato e quis movimentá-lo, assistindo à gueixa desmanchando em mim. a minha reputação caiu depois que me viram. derretida pequena fui na fila do banheiro pra começo de conversa. peguei e virei pra moça do lado é aqui? ela sim e começou a querer falar. dei uma piscadinha, acabei calando. continuamos paradas de fila. acompanhei-a à cabine, agarrada, e juntas percebemos uma pintura ali. afresco? eram figuras humanas em tamanho real, esperando à maneira egípcia. usamos a privada com ordem e calçando os sapatos tive prazer -- não queria sair, era bonito demais. se estar em fila suspende, ser é simples e facilmente corrompível. o social não interrompe nada, nada

sábado, 24 de janeiro de 2009

a extração do ouro

— o social, amigo, é a consciência intrigante do conjunto quando é preciso partir. desligados da união, que bem-durou a todos o que dura, cadentes viramos as costas/ fora da órbita/ o caminho a fazer impede de apreciar a paisagem estendida sobre o cerrado — belíssima vista a descer chorando, os meus sociáveis acenando tímidos no retrovisor que não limpa. o suor exposto ao vento do acostamento refresca, o resto é música, chiado. a entrega com clareza leva bem pro canto, assim, lugar pontual, recortado, quina eu diria. a poeira brilhosa se agita com a chegada — festeja através da luz da cortina aberta, dançando com os cobertores que quebram enfeites, a poeira lá lá lá descendente acolherá o ser, tenra nata —

sábado, 17 de janeiro de 2009

"anatoles", vitalic

chiquerê na mesa de manequim, pantalona vestido capcioso kk ó o queridíssimo jogando óleo no acrílico com durex ó oleo escorre e alguém esbarra e suja a roupa mas dá um jeito na pia. fulana na mesma tentando limpar uma cerveja no decote. jura/ perfuma/ juro. sicrana com rótulo de enfeite na saia sexual. na maior malemolência das substâncias me senti muito doido e observado. de repente vi: o social não é ser observado, o que é o social? observei muito. eu e M. cansamos e fomos pro apartamento fumar um/ dois/ três/ quatro/ cinco/ observações/ substância distância/ comecei numa onda "esfera da produção de si mesmo". é "eu" mesmo que sai? esta história é trago

sábado, 10 de janeiro de 2009

queridíssimo

qual é o e-mail do queridíssimo? desisti da estreia em tempo, um espetáculo chato. como saber? quanto a mim, o real amarrou a bibliografia toda, difícil entender: pão-duragem. sem referência. peguei a foto dele na revista e fiz um bigodinho lilás. quarenta anos depois Linus foi fazer colagem, adorou a falta de cor. DESBOTADURA SOU EU QUE TIVE IDEIAS. você pesquisa, por favor? EU AINDA QUERO BROTANDO. dor. dor anestesiada de boate, luzinha piscando, três letrinhas rodando, moço. e bate forte coração. anestesia frita. a mil, um perfume, uma flor de lata, um sentido vertido. olha se tem o e-mail aí na internet. o que faz o queridíssimo?

sábado, 3 de janeiro de 2009

retrato de crasse: Márcio

Juli no patinete. minha sobrinha vai pra frente e pra trás. desdenhando o trajeto da quadra. Juli esbarra na mureta e cai rindo. do alto da minha janela, meu riso pensa precoce. chega o porteiro muito barulho. ela recalcitra, toca tambor com a terra do jardim. super trilili termino a dose de uísque e sem energia desço quatorze andares. quando chego Juli joga giz de cera na cara do porteiro. do alto do pensamento fico sem saber se cato o giz ou carrego a menina. como respeitar a soltura infantil? talvez eu nada de filhos. olho pra Severino e começo a dançar imitando uma música da Xuxa, descontraindo com humor. de cara vermelha, ele escarra no chão. diante da brutalidade inadmissível, me agarro revoltado ao patinete desculpa.

sábado, 27 de dezembro de 2008

a compreensão do néctar

a verdadeira monotonia só existe no lar. a monotonia traz a casa, um milagre - cotidiano. a casa é feita de cor de chuva vista pela janela. um tom? a janela não é uma escolha, sem chance. a arte não é ato de vontade, pasolini dizia que a técnica vem antes, estava certo. derrubando as paredes e fazendo do apartamento um cômodo único, meu projeto não pararia em pé. o concreto vira um grande saco cheio jogado no chão. a questão é: se a intuição que tive não era ela própria uma obra. um estalo. click fotográfico, alguém precisa saber? produzir é publicar? publicação é produção? tornar público é fazer? a obra é vida não enrustida e talvez nesse sentido mataram a arte, e eu também matei. algo eu queria descobrir aí só e simples.

sábado, 20 de dezembro de 2008

ninini

tocaram a campainha. abri a porta. tenho pensado ultimamente que devo ficar em casa, relaxar, assistir a um filme e sair só no sentido de ir à cozinha, porque a cozinha tem servido como uma saída. mentira. só no sentido de encontrar comida pronta. enfim, tenho refletido sobre estar em casa, a casa como abrigo ou como santuário, algo que não sei mais o que é. sei muito pouco sobre o abrigo e sobre comida. não sei dizer ao certo o motivo, uma necessidade de Ar talvez. durou anos, o desinteresse por abrigo e a urgência de rua. "vou pra rua", dizia com vontade. agora abro quando tocam a campainha e me interrompem. na porta aberta, um rapaz moço homem. ele me deu um beijo e saiu. aceitei de bom grado, fechei a porta e horrores.

sábado, 13 de dezembro de 2008

então é natal

esculturas de plástico no gramado centenário sul-americano: todas luminosas e monumentais, menos papai noel, apresentado em tamanho real. bengala bicolor, bola para pinheiro, presentes embrulhados. os laços dos presentes, frondosos, apertados. milhares de lâmpadas no ar, nas árvores, nos olhos sedentos. moda do séc. 21: as lâmpadas brancas que não piscam. digo sem cor e pisca-pisca, vê lá. decoração ligada! é natal, sonho, sonho de natal, dormimos com a decoração ligada! mixirica, me dá uma mixirica sim, de natal, vermelha. moro aqui em BH, Savassi, que beleza. mixirica.

sábado, 29 de novembro de 2008

fineza

arrumar o quarto é uma necessidade vibrante que se estende sobre os períodos da vida de qualquer pessoa. objetos que há pouco representavam alguma possível renovação ou uso se desconfiguram com o que se chama de arrumação. o contexto decorativo de repente deixa de existir. nada escapa da fúria tremenda daquele que decide desempilhar e escolher. os objetos tremeluzem com o movimento de olhos subitamente acordados. a poeira se anima e colore a janela aberta, que nunca esteve diferente. um quarto é uma Nova sala. um quarto possui franca produção. note-se tudo o que ali pode mudar de lugar. arumá-lo muda o que está fora dele.

sábado, 22 de novembro de 2008

os desfilem atraem público

brega é uma dor muito exata, que já acompanha anos. só ele exprime e compreende uma certa desventura. ex.: uma festa ilhada como no Adocica. a Brenda: animo. eu animo. eu divirto. muito estilo, clube da fantasia. hoje não volta nunca. só quando um personagem surge em meu corpo humano: a rosa por acaso tem utilidade. POR ACASO ESCARLATE NO CABELO BEM. um retrair-se diante do que já foi dito: "rosa é para enfeitar". o que dirão do rosa-choque será pior. dor. é pura dor palhaça. o privilégio da piada, a ironia fechadíssima, mas penetrante-inconsicente. o carisma faltoso em conjunção com o impossível. uma espontaneidade maldita onde menos se espera: como quando no quadro escreveram sem querer algo que "combinou" com a roupa. e alguém disse que era feia. um presente oblíquo oferecido à minha pessoa.

sábado, 8 de novembro de 2008

a sua carta dizia: "chuva tantaque o vapor des-cansa". a chuva fora aqui de casa parecia the smiths tocando. meu braço, apoiado na janela, doía do teclado do computador. é uma dança contemporânea macabra que realizo durante o trabalho. de onde vem esse sadismo? pergunto vago. pergunto frio e vago: de onde eu tirei essa vontade de buscar a minha alma para fora. ninguém responde, claro. abstração do bailarino clássico! macabro sem compromisso com nada fora do movimento. sem represença. danço e falo comigo, com os outros, todos os dias, bom dia. agindo no mundo. a alma saindo me atinge. fica esperando a dor do braço passar.

sábado, 18 de outubro de 2008

fiz uma coisa / de que tenho vergonha. falo demais. falei disso ontem, sozinho. falei sozinho. dentro do banheiro, em pé, demorei a sair, anotei: falação. as palavras parecem ganhar vida própria — blá blá blá — se movimentam, trocam de lugar / da voz à audição / vibram / algo monstruoso / cresce / diante de quem profere / sobre a mesa / a matéria fala / declara / uma infinidade / se mescla aos ingredientes / às bebidas / ao cigarro/ a fala gostosa / a fala satisfeita / e vária / voltando pra casa, murmura /e aos poucos esvazia / esvazia o sentido / da síntese.
 

Free Blog Counter
Poker Blog