quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

do outro lado dessa ilha

Ar fa um in fe li z me n te. - - - - A chuva rasante. - - - Alguém se rasteja por uma parede - - - Amanhã de manhã você dorme. - - - Branco branco branco. - - - Estamos em Assunção, virgem em saturno paraguaio. - - - Tu tu tu tu. - - - Ocupado? - - - Ninguém tem sinal nessa festa? - - - Telepatia e teoria about. Know how? - - - Cisne, asno, gaivota. - - - Porcelana, bibelot, marreta. - - - Desisti das heranças. - - - Só tenho a ti, onda que vai. - - - Aturde, nutre, incêndio. - - - Pequeno abutre se alimenta de salsugem - no papel - Quem vem lá sou eu. - - - Ass: As raspas da champagne que você bebe. - - - Samambaias, avencas, abraços. - - -Espuma branca luas claras nas varandas. - - - ps. Feliz ano novo, meu amor.
8 8 8

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Charada de seu Teófilo

Sete linhas mal preenchidas e uma charada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Pita matou quatro, quatro matou sete . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . Dos sete escolhi a melhor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Atirei no que vi, matei o que não vi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Com a madeira santa, assei e comi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sem tirar água do céu ou da terra eu bebi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . E com isso cheguei aqui.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Na rodoviária

Toda uma confusão de filas. "Quero ir pra Campinas! e não tem passagem!", escuto de soslaio. E prà praia? Quem quer ir? Mil mãos candidatas a levantarem-se. Para ir até a minha cidadezinha e deixar a megalópole onde me fiz a vida miserável, preciso de dois ônibus, porque não há ônibus direto. Levo a mala, mais a valise de mão: toda palavras-cruzadas, livros, poesias, cadernos de escritas. Meu pé! Mas que conho! Por que não olha por onde anda? Por que a gente tem de ir ver a família obrigatoriamente nessas épocas nefastas de fim de ano? "E pra Bertioga, tem?"; terei de ficar-me estacada quatro ou seis horas esperando o ônibus. Depois, mais umas esperando o ônibus para a minha cidade. Bom ano-novo, senhora. Puxo meu dominox e a caneta.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Próspero, Caliban

O corpo limpo e perfumado, risos ao redor - para ele, a virada do ano tinha sempre uma aparência de cadáver bem cuidado, ele em vestes brancas virilhas secas no velório de um ano bonito e iluminado, sem os sinais da quimioterapia, sem os estertores de dois minutos atrás. Este ano eu pus cueca rosa, para dar amor. Os parentes se acotovelam para ver Copacabana na televisão e o maior reveillón do mundo acontece bem aqui, embaixo do nosso nariz, onde um porco inteiro assado e morto diz muita gordura para o ano que vai nascer. A paz também veio prestigiar, na forma da prima alcoolizada que canta “irmão, é preciso coragem pra seguir viagem quando a noite vem”. Mas 2009 será um ano bom, como nenhum outro jamais foi.

sábado, 27 de dezembro de 2008

a compreensão do néctar

a verdadeira monotonia só existe no lar. a monotonia traz a casa, um milagre - cotidiano. a casa é feita de cor de chuva vista pela janela. um tom? a janela não é uma escolha, sem chance. a arte não é ato de vontade, pasolini dizia que a técnica vem antes, estava certo. derrubando as paredes e fazendo do apartamento um cômodo único, meu projeto não pararia em pé. o concreto vira um grande saco cheio jogado no chão. a questão é: se a intuição que tive não era ela própria uma obra. um estalo. click fotográfico, alguém precisa saber? produzir é publicar? publicação é produção? tornar público é fazer? a obra é vida não enrustida e talvez nesse sentido mataram a arte, e eu também matei. algo eu queria descobrir aí só e simples.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A Zeladora

Um mp3 no bolso do uniforme. Só um dos fones no ouvido. Luva na mão. Abre lixeira. Esvazia lixeira. Fecha lixeira. Pega bandejas. Limpa bandejas. Separa bandejas. Azul, Burger King. Verde, Mc Donald’s. Cinza, Girafas. Detestava copos descartáveis. Olha a colega de uniforme e sorri. Troca música. Apalpa seio. Aperta mamilo. Segue para o vestiário. Tira o lixo das lixeiras do carrinho. Guarda o carrinho. Tira a luva. A colega aparece. Tiram o uniforme. Olham o relógio. Têm dezoito minutos. Apalpa o seio. Dela. Morde os mamilos. Dela. Troca música. Separa cada parte. Sua. Junto com cada parte. Dela. Senta a colega no carrinho. Desliga a música. Tira as pilhas do mp3. Restam cinco minutos. Será que as pilhas vão agüentar?

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Diário de Estância, VI


Natal de 2008, no dia da morte de Harold Pinter. Pausa. Houve uma longa pausa na praça onde nada sei. Todas as árvores da minha rua levam postas voltas e mais voltas de bijuteria barata. As contas acendem. Não piscam, dão uma luz estanque que me faz pensar em polaróides recém-tiradas, em Zsa Zsa Gabor, talvez, fazendo a senhoria siderada de “The Birthday Party” numa montagem mal-sucedida em Vegas, 1967. Eu dançaria, eu me largaria num vero showstopper, fosse este o ventre rhinestoneado de todo o Universo. Mas houve uma longa pausa na praça onde não liguei para ninguém. Meus heróis morreram de velho mesmo. Saímos, Anna e eu, encontrar com Gabriel. Nunca sabemos ao certo em que lugar do país ele está, é das coisas que nos fazem amá-lo.
 

Free Blog Counter
Poker Blog